Princípio Espiritual

Princípio espiritualExistem noções mais elevadas e mais profundas sobre o bem e o mal, moral e imoral. (Nietzsche)

Quando compreendemos a importância de erradicar o conceito de punição de nosso interior e do planeta Terra, o qual “condenou” o mundo inteiro através das religiões moralistas (dualistas), alcançamos o verdadeiro princípio espiritual, a essência do ensinamento de Goldsmith e de Jesus, que infelizmente se perdeu na história. Na realidade, abraçaram a herança dos fariseus, como sendo a verdade de Cristo.

Enquanto isso, devido ao teor das palavras profundas, enérgicas e controversas do sábio filósofo Nietzsche, seu conteúdo polêmico até agora tem sido evitado e ignorado pelos religiosos e espiritualistas do mundo inteiro. Alguns inclusive se equivocaram a seu respeito, porque não se deram ao trabalho de estudar a sua nobre obra com seriedade, devido ao preconceito. Entretanto, os metafísicos e espiritualistas de mentes mais abertas já perceberam que as palavras revolucionárias do filósofo Nietzsche vêm ao encontro das palavras dos sábios místicos, como o próprio Joel S. Goldsmith, considerado o mais respeitado místico ocidental do século XX.

Ele, após estudar dedicadamente a Ciência Cristã durante 16 anos, fundou nos Estados Unidos um movimento espiritual denominado O Caminho Infinito. Sua mensagem expandiu-se para vários países da Europa e da América Latina. No Brasil, seus livros são lidos e estudados por grande número de pessoas. Ele faleceu em 17 de junho de 1964.

O filósofo Nietzsche, por sua vez, estudou a Bíblia desde a infância, e, após estudar filosofia e filologia, acabou percebendo que a mente humana condicionada é habitualmente superficial. Dessa forma, ele elaborou a sua arte controversa.

Quem estuda com seriedade o conteúdo de Joel S. Goldsmith percebe que suas palavras expressam a mesma verdade preconizada pelo o filósofo Nietzsche. Por exemplo:

Vocês, homens prestativos e bem intencionados, ajudem na obra de erradicar do mundo o conceito de punição, que o infestou inteiramente! Não há erva mais daninha! Ele não apenas foi introduzido nas consequências de nossas formas de agir – e como já é terrível e irracional entender causa e efeito como causa e punição! –, mas fez-se mais, privando da inocência, com essa infame arte interpretativa do conceito de punição, toda a pura casualidade do acontecer. A insensatez chegou ao ponto de fazer sentir a existência mesma como punição – é como se a educação do gênero humano tivesse sido orientada, até agora, pelas fantasias de carcereiros e carrascos!

Um enorme fardo de má consciência deve ser eliminado do mundo – tais metas universais deveriam ser reconhecidas e promovidas por todos os homens honestos que buscam a verdade! (Nietzsche)

Portanto, quem ama e prioriza de fato a verdade, e não apenas crenças religiosas ou materialistas, basta apenas considerar honestamente quem foi mais sábio e profundo, o filósofo Nietzsche ou seu pai e seus avôs, que eram pastores protestantes (luteranos)? Infelizmente, muitas pessoas ainda pensam que as palavras fundamentais do sábio filósofo Nietzsche não sejam importantes para nossa realidade cotidiana. Sem falar que a maioria nunca ouviu nem leu a respeito das mesmas. E alguns que conhecem não perceberam ainda a sua importância para a sociedade e a educação humana.

É preciso e urgente erradicar do mundo o conceito de punição (ideia de pecado), o qual leva à autopunição da mente (autossabotagem interior), sem necessidade. Embora já existam pessoas honestas e bem-intencionadas que buscam e priorizam a verdade. O problema é que muitas ainda têm medo de se expor (de se comprometer com a verdade) e venham a ser menosprezadas e ridicularizadas devido ao senso comum. Inclusive, outras temem perder o status e as mordomias habituais já conquistadas, e ter que recomeçar do zero.

A mentalidade sombria e pessimista das religiões moralistas (dualistas) não mudou muito desde mais de 2.000 anos atrás, devido ao apego às crenças antigas ultrapassadas, as quais Jesus aboliu (II Coríntios 3,14; Mateus 5,43-45). Este é um fato importante a que nós devemos prestar atenção, porque diz respeito ao futuro da humanidade. A verdade (evidências) vale mais que qualquer crença religiosa ou materialista (opinião): punhado de pensamentos abstratos. É preciso priorizar a verdade (realidade), em vez de crenças e preferências.

Ao compararmos sem preconceitos o conteúdo dos filósofos Spinoza e Nietzsche, com o conteúdo do místico Goldsmith, constatamos o mesmo objetivo fundamental, ou seja:

Temos que abandonar essa crença absurda em um Deus que pune e recompensa, um Deus que está presente quando nós experimentamos uma cura e ausente quando a cura não ocorre. Deus nunca está longe de nós, exceto em nossa crença de que há dois poderes, exceto no medo dos outros poderes que criamos em nossa mente. Não apenas tememos tais poderes, às vezes tememos também a Deus! (Joel S. Goldsmith)

Quanto ao temor, basta não confundir respeito e reverência com medo. Ou seja, para compreender corretamente a questão do temor a Deus, precisamos compreender alguns versículos bíblicos otimistas:

No amor, não há temor; o perfeito amor lança fora o temor; porque o temor tem consigo a pena, e quem teme não é perfeito em amor. Nós o amamos porque ele nos amou primeiro. (I João 4,18-19)

É necessário perceber que é de fato irracional entender causa e efeito como sendo causa e punição. Esse tipo de crença nega nossa inocência e liberdade. Trata-se de uma interpretação equivocada da realidade. Enquanto isso, na pura causalidade, há infinita liberdade e possibilidades. É esse o sentido, a beleza e a dignidade da Vida real. Do contrário, Deus seria um Ser mesquinho, pobre e infeliz.

A humanidade aceitou uma educação de pessoas de mentalidade pobre e estreita (mentes maliciosas). Eu diria que o filósofo Nietzsche se tornou um verdadeiro Pastor, que superou seu pai e avôs. Afinal, ele alcançou a mesma compreensão espiritual profunda do místico Goldsmith, conforme verificaremos em outros exemplos, através de suas sábias palavras.

Para facilitar o entendimento, eu sempre introduzo nos textos, um versículo bíblico para enfatizar que o conteúdo tem fundamento e está relacionado com a Bíblia. Caso o leitor tenha uma Bíblia em mãos, poderá conferir o conteúdo de cada versículo. De preferência, uma Bíblia traduzida por João Ferreira de Almeida. Inclusive utilizo frases do filósofo Nietzsche, relacionadas ao conteúdo abordado.

A palavra “criação”, às vezes eu escrevo entre aspas, por se tratar de força de expressão, que significa o desdobrar ou revelação da Consciência espiritual no mundo físico, de forma concreta e visível.

Para concluir, gostaria de esclarecer que eu não pertenço a nenhuma religião ou tradição espiritual.

Boa leitura.

E.S.J.

Livro…

 

A lei nenhuma coisa aperfeiçoou. (Hebreus 7,18-19)

Religião, no seu aspecto mais profundo, é um caminho de volta para casa; é o que proporciona a experiência da Unidade. A palavra religião vem do latim religare, a religação da alma individual com o Absoluto. Nesse sentido, religião é sinônimo de yoga que significa união. Porém, a mente humana se apropriou desse conhecimento e aquilo que deveria ser o caminho de volta para a casa tem sido um caminho que nos leva ao aprisionamento. Portanto é importante saber discernir o que te liberta e o que te aprisiona. (Prem Baba)